quinta-feira, 31 de maio de 2012

PESSOAS VICEJANTES E PLENAS


Existe um tipo de pessoas que traz, para as ruas, seu silêncio surpreendente diante dos ruídos. Caminham sobre morangos e pétalas, quando tantos tropeçam no relevo enrugado do futuro. Vociferam poesia, quando tantos escondem o mel dos sonhos irrealizáveis. Conjuram pedaços de depois, quando tantos desistem. Elas navegam a pressa com a delicadeza da brisa de varandas.

Existe este tipo de pessoas que acenderam, no olhar, o facho de luz dos quasares mais ousados que se tem notícia. Transmitem almas realizadas no cinema etéreo de suas jornadas atemporais. Refletem sonetos de rubis na palma da mão de quem os tocam sedentos. Arrastaram as estrelas mais recônditas para o chão onde pisamos nossas vontades desmaiadas. Elas rabiscam a esperança astronômica dos quintais, em busca de um pequeno descanso para os mortais.

Existe um tipo de pessoas que acreditam no que não vemos, professam o que ainda não foi absorvido em nós pelo medo de sermos descobertos a céu aberto. Percorrem os trilhos da sabedoria como se estendessem para nós tapetes vermelhos de amabilidades. Sabem de nossos descaminhos e nos aguardam pacientes no vão da esquina. Estendem as mãos para abençoar nossas vísceras, enquanto comemos feito porcos e bebemos feito algodão na chuva. Elas brilham um sorriso cósmico, meio egípcio meio etíope, até que um dia nos tornemos também vicejantes. Pessoas vicejantes. Pessoas plenamente vicejantes.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

NOTÍCIAS RECENTES DA UNIVERSIDADE ONENESS


As Dikshas dos Olhos, também chamadas de Meditação Oneness, acabam de sofrer uma pequena e significante alteração em sua preparação inicial. A partir do mês de Junho de 2012 não mais será necessário passar por técnicas de respiração tais como Chakra Dhyana ou Anandamandala, técnicas estas conduzidas pelos Trainers da universidade em todo o mundo. A preparação será uma meditação orientada para aprofundar os laços de conexão com o Divino, onde se pode experienciar a abundância da Graça Divina fluindo, a ponto de pessoas se perguntarem “mas o que é isso que está acontecendo?”.
Apenas as pessoas indicadas pela universidade e escolhidas por um processo meditativo dos Cosmic Beings ou Seres Cósmicos, em profundos estados de consciência, podem oferecer a Diksha dos Olhos ou meditação Oneness. Para que o movimento acelere o despertar cada vez mais de mais e mais pessoas, esta prática está sendo oferecida online indiretamente através da solicitação de um Trainer que se reúne com seu grupo de pessoas. Oportunamente estas orientações deverão passar também por modificações, mas por enquanto é assim que se faz no Brasil.
Segundo informações de Bhagavan, já podemos contar atualmente com mais de trinta mil seres despertos, a maioria deles por enquanto na India pois eles se reúnem na Universidade Oneness todos os domingos, as quatro horas da manhã horário brasileiro, onde podemos nos juntar mentalmente em oração com eles pedindo para o nosso despertar acontecer o mais rápido possível.

terça-feira, 29 de maio de 2012

O QUE NOS FRAGMENTA


Por mais que acreditemos ter uma identidade definida, identificável por todos, constante e previsível, há certas coisas e situações que nos quebram as estruturas, partem nosso coração, e nos deixam desorientados faltando um pedaço.

O inesperado muitas vezes nos rouba o chão, a lucidez e o giz de nossas palavras. Tudo o que nos afasta da zona de conforto, do território confiável dos amantes, da estabilidade financeira e emocional, leva-nos pela correnteza da dúvida e das incertezas. Ao perder alguém, importante para o nosso vínculo, perdemos com ele certa referência de vida e não sabemos qual direção vai garantir nossa sobrevivência. Ao receber um gesto de desamor ou de traição, tudo o que fizemos parece ter sido em vão, perdemos o valor dentro de nossos olhos tristes e desistimos de viver com determinação e fé. Ao sofrer uma acusação injusta, acreditamos ter nossa imagem para sempre arranhada ou deformada como uma queimadura de terceiro grau, pensando nunca mais recuperar a unidade e tememos a loucura.

Fragmentados, não sabemos mais quem somos, quem fomos nem o que queremos para o dia de hoje, quanto mais para o futuro. Fragmentados, não pensamos o certo, não fazemos alianças favoráveis, não perseguimos sonhos e não encontramos a saída. O pudim já não é mais gostoso, o beijo ficou gelado, a conversa ao telefone incomoda a alma. Sabemos estar dentro de um túnel escuro, dentro de um cofre trancado a sete chaves, numa aeronave perdida hà anos luz do quintal de casa, mas nada insiste em fazer sentido. Queremos acordar e não sabemos como. Só sabemos, numa réstia de memória amarelada pela dor, que é possível lamber as próprias feridas e despertar para uma vida diferente ou melhor, pois a agonia nos cansa. Até que um dia um sorriso de uma criança inocente, pré-verbal, nos informa que para despertar só precisamos estar inteiros.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

SURPRESAS DO DESPERTAR


Nem tudo é previsível no processo individual do despertar, ainda mais se considerarmos como a mente de cada pessoa possui seus próprios recortes, de crença e interpretação, da realidade. Mesmo se soubéssemos exatamente como tudo iria ocorrer, seríamos pegos de surpresa por tudo que é impermanente na vida da gente.

Etapas do processo nos são ensinadas, sem o foco nos pensamentos, oriundas de uma fonte confiável. Acontece porém que esta orientação também não poderia ser permanente, pois assim sendo não abriria espaço para a plenitude, para o infinito, para o vazio que contém o tudo. Chegaria o momento em que esta fonte confiável de ensinamentos abriria mão da própria imagem para que nos transformássemos individualmente no todo, na unidade de todas as coisas. Não seria desistência nem falta de fé. Seria natural.

No final do processo haveria uma etapa estranha de desconexão com esta fonte, um sentimento de indiferença pela sua ausência, até que tudo fosse mesclado, unido, dentro de uma nova sinergia de amor. Quem sabe até o amor desaparecesse neste momento. Sem ele como o referencial de ego, o natural fluiria sem a necessidade das interpretações, como se tudo estivesse caindo por terra, como se nossa vida perdesse a lógica e os sentidos anteriormente dados a ela. Este vazio assusta quem estiver de fora, mas absorve quem estiver nele sem a mente como filtro da realidade. O vazio se manifestaria como algo infinitamente divino e absoluto. Fica difícil entender isso tudo olhando de fora. Tem horas que só nos resta repousar a existência no colo da não existência para alcançar o despertar. Que assim seja.

sábado, 26 de maio de 2012

PALAVRAS DE BHAGAVAN


*“O amor ou o ódio que você experiencia nos seus relacionamentos tem uma
relação direta com a clareza que você tem dos seus assuntos, o percentual
que você tem em seus exames, ou a promoção que você está para receber no
trabalho. Não é possível que você seja seco por dentro e se sinta amado
pelos seus próximos e bem-amados. Seja se eles realmente amam você ou não,
isso não tem qualquer consequência. Se você não tem amor dentro de si, é
assim que você vai perceber todas as pessoas ao seu redor. *
É muito comum pessoas cobrarem algum comportamento de seus parceiros, alegando estarem cansadas de fazer algo por eles e nada receber em troca. Muitos abdicam da iniciativa e aguardam o primeiro passo deles. Seria um comportamento quase infantil em nome da sustentação de uma mágoa, sem questionar a capacidade do outro de se doar ou comunicar seus sentimentos com a clareza exigida.
É justamente esta percepção da experiência vivida que vai desencadear a manifestação de amor ou ódio dentro de si, dependendo da circunstância. Com mágoa no coração, fecha-se interiormente para contatos saudáveis, murcha-se interiormente para a esperança de renovação do relacionamento. Com mágoa, sente-se abandonado, mal amado, discriminado, indigno, inferior. Tal percepção negativa dos próprios sentimentos eleva a intimidade com sentimentos odiosos, com a gravidade de culpar os outros por tamanho distanciamento.
Só se dá o que se tem. Ninguém dá o que não possui em seus arsenais emocionais. Seco por dentro, será impossível atrair amor e compaixão, ou até mesmo amizade, dos outros. Seco por dentro, nenhum relacionamento evoluirá. O que sentimos vai reverberar no coração das pessoas e retornar ao nosso ser, não porque as pessoas sejam o que nelas lançamos, mas sim porque nosso estado interior servirá de filtro e reflexo para nossas interpretações da realidade e do mundo.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

NADA É O QUE PARECE


O pensamento das pessoas pode confundir a leitura da realidade. O pensamento age feito cipó, retorcendo-se, exaurindo-se, secando a fonte de possibilidades ao se tornar ilusório e obsessivo. A distância da realidade torna opaco o caminho, cria isolamento e culpa, busca reforço para sustentar a fantasia e abala conexões gerando desconexões irreparáveis.

Nem tudo é o que parece de perto. Nem toda leitura é isenta de apegos, inconsistências, conflitos, choques de opiniões, tendências falaciosas, registros vencidos do passado, carências, condicionamentos, mecanismos de defesa, busca pela racionalidade em territórios emocionais e vice versa. Nem tudo é como o que foi concebido no silêncio de um quarto impregnado de imaginação. Por isso as pessoas pisam no tomate e escorregam na maionese na hora de checar a informação que vem dos outros.

Quando conferimos a realidade precisamos respirar humildade, precisamos reconhecer que nem tudo são flores, nem tudo cabe em nosso espaço individual. Enxergamos que o sonho vive de lembranças fugidias, que a vida vive de movimentos aleatórios, que o tempo vive de pegadas quentes e recentes. Ao conferir a realidade lembramo-nos dos pés, do chão, do relevo, do equilíbrio e da natureza verdadeira das ações. A realidade prevalece sobre os pensamentos idealizados, mesmo que a gente insista em mentir para nós mesmos. A realidade nos cobra a verdade dos fatos, a revisão das necessidades pessoais, os sentimentos dos outros distorcidos em nossas leituras interessadas. A realidade cozinha o dia em banho Maria, até que a fome de existir nos dê um sinal de que não somos os únicos a desler nossas experiências mais caóticas. Agora só falta respirar e erguer a cabeça novamente.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A ARTE DE CONSTELAR


O universo é um real depositário de informações, um registro akáshico, uma biblioteca do inconsciente coletivo, um livro de nossa vida interior oculta ou partilhada. Tudo o que fizemos e pensamos deixa seu registro em algum lugar, sendo possível acessá-los pela arte da constelação familiar. Sendo percepção da eternidade, a linha do tempo se encarrega de nos conduzir por sendas mais seguras na hora de crescermos com as interações humanas mais complexas.

Quem já participou sabe do que estou falando. Mergulhamos no poço profundo do mistério, sem garantias de resultados, mas retornamos à superfície com olhos abertos e alma lavada, esperança renovada, espanto e serenidade, com certezas outrora impossíveis de serem concebidas. Tal mergulho no reino do inconsciente coletivo nos dá plena consciência de que podemos mudar e evoluir, podemos perdoar e seguir vivendo, podemos reorganizar o caos de nossas relações sem qualquer prejuízo para nossa imagem.

Entre uma sutileza e outra, entre o óbvio e a confusão, entre o finito e o infinito, algo se manifesta com peso de verdade inquestionável. Algo se revela sem cortinas, sem manipulações, sem a verborragia das palavras insanas. Entre um conflito e outro, desce sobre nós os raios de luz do entendimento metafísico sempre que a conexão se abre. Se o brilho de cada estrela no céu rasga um clarão na noite escura, os movimentos de cada participante rasgam o céu da ignorância como se fossem estrelas do firmamento humano. Ali nos ausentamos para que a vida fale mais alto. Ali nos sintonizamos com a essência do outro. Ali somos todos um livro aberto da eternidade.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

TODAS AS FORMAS DE ABUSO


A ignorância, a falta de limites, o mau exemplo dos pais, a falta de caráter, doenças mentais, o egoísmo, o exibicionismo, a identidade proibida, a vantagem física aliada a redução intelectual, a ausência ou omissão dos adultos ou dos amigos e colegas de classe, tudo isso favorece a impunidade daqueles que abusam verbal, física ou sexualmente dos mais fragilizados ou mais pobres.

Nesta semana Xuxa veio revelar em público que já foi molestada na infância. Demorou mas ela conseguiu. Num país onde ainda não temos consciência suficiente para punir tais comportamentos criminosos, numa cultura que objetifica as mulheres e abandona suas crianças nas mãos de estranhos, numa sociedade que ri de quem foi abusado, bem que poderíamos aproveitar a oportunidade para elaborarmos leis mais modernas e mais humanas.

Um trauma de abuso não se esquece jamais. Eles são revividos por pesadelos, por situações semelhantes em contextos diferentes, por notícias na mídia, na hora do banho, na hora da intimidade com o cônjuge, no silêncio de noites atormentadas pelo passado. A lembrança de um abuso inibe a vida, poda a felicidade, os faz desacreditar na humanidade e na compaixão. Humilhação, vergonha, abandono, são emoções torturantes que sangram a alma e tornam os olhos opacos de tristeza. O abuso é um ato demoníaco feito por pessoas doentes que não merecem ser chamadas de civilizadas. Há que se repensar nossas leis e proteger mais as nossas crianças nas escolas.

terça-feira, 22 de maio de 2012

A GRAÇA DE VIVER EM PLENITUDE


No último final de semana realizamos mais uma jornada coletiva do Treinamento Bioplenitude em Passos-MG. Foi a maior turma organizada desde o início de nossas atividades. Nem por isso sofreu qualquer perda em conteúdo, ao contrário, trouxe mais desafios individuais, os quais foram pronta e amorosamente atendidos pela vasta experiência da equipe e pela profundidade do trabalho psicoterapêutico apresentado.

A cada surpresa do curso, outra surpresa dos participantes. Pouco a pouco, feito flor, cada participante abria uma de suas pétalas e exalava aromas variados de sua essência. A cada dinâmica, novos encontros com a sabedoria interior, novas descobertas de autoconhecimento, novas revelações da alma sedenta de cura interior. Em cada momento, uma eternidade se manifestava para expandir nossa consciência. Em cada vazio, acontecia seu preenchimento com a presença divina.

Vidas foram sacudidas, abençoadas, reorientadas para voos maiores, reformadas, despertadas em consciência, reconectadas à fonte original, renovadas pelo sopro da esperança, reescritas, reprogramadas para o bem e para o perdão, redefinidas em seus propósitos, perfumadas pelo amor, incendiadas pelo Espírito Santo, acalentadas pela compaixão, reaproximadas da realidade, tocadas em sua essência, abraçadas pela humanidade, beijadas pelos lábios quentes do destino amoroso e paternal que nos conduz à plenitude.

Cada um sabe melhor o que aconteceu consigo nesta jornada de luz. Cada um sabe melhor agora o que fazer com suas mãos e com suas palavras. Cada um sabe melhor o sentido de sua existência após este treinamento para a felicidade. Todos foram tocados pela Graça que sempre nos toca quando olhamos para ela. Uma nova água divisória, viva, brotou do grotão dos terrenos cuidados pelo coração de quem ama e foi amado pelo amor. A paz nasceu no âmago dos que se renovaram e se apossou de suas vozes, no cântico alegre que a vida insiste em cantar, nos libertando da mente enganadora e conflituosa. A felicidade agora causa um novo impacto em nossa existência e cada um causará um novo impacto positivo no meio onde vive. Estamos transformando o mundo exterior a partir de nós mesmos. Estamos transcendendo o milagre de ter nascido um dia.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O DESENVOLVIMENTO INFANTIL


Ao nascer, a criança não se sente como um ser separado da mãe. Esta unidade é a experiência mais rica que uma mulher pode ter. O bebê torna-se o centro do universo, um ser único, o foco principal de sua existência. Na rua, ela sai atropelando as pessoas pois seu filho precisa ser protegido constantemente para que sobreviva.

Aos poucos ele vai se percebendo ao mexer as maozinhas que, misteriosamente, desaparecem de sua vista. Depois ele adquire certa autonomia ao descobrir outras partes do corpo e como comandá-las. Nem percebemos nós que neste momento a criança está aprendendo a educar seu olhar. Basta segurar o bebê de outra pessoa em nosso colo para notar que ele, aos cinco meses, evita nos olhar no rosto, reservando este direito somente aos pais.

O tempo passa e ele começa a descobrir a verticalidade, a possibilidade de se levantar, explorando novos espaços para perceber tudo o que não é parte de seu corpo. O próximo passo é tentar dar um passo, ou muitos, descobrindo os rítmos, ao mesmo tempo em que domina a percepção de espaço e tempo. Que momento lindo em seu desenvolvimento. Tão novo e tão conectado com a dimensão humana em seus moldes  de consciência. Tão vulnerável e tão desbravador.

Agora chegou a vez de organizar o aprendizado por repetição e associação, o pensamento e a linguagem. Outro momento lindo e definitivo em seu desenvolvimento. Outra descoberta magnífica, a de se comunicar, de se expressar, de negociar, de conquistar, de saborear as pequenas vitórias. Aquela pessoinha em miniatura agora é gente de verdade. Ainda inocente e dependente, entrega-nos a esperança em seu olhar, despertando em nós a pureza de intenções e a expansão do coração emocional. O mistério da vida se repete e se propaga através de nós.