terça-feira, 10 de janeiro de 2023

ILHAS FILIPINAS

 

Se lembram do ex-Presidente Duterte, nas ilhas Filipinas, combatendo o tráfico de drogas de forma violenta? Há seis meses atrás ele saiu do cargo, porém o novo Presidente eleito deu seguimento à esta política, sem alarde, sem bravatas, e desta vez contra os maus policiais e milicianos. Duterte encorajou seus policiais a matarem mais de dez mil cidadãos pobres envolvidos no comércio de fentanil, durante todo o seu mandato presidencial, acreditando assim coibir o tráfico. Marco, o novo Presidente, em apenas cinco meses de governo, já ultrapassou este número de mortos. Agora ele demitiu uma lista enorme de policiais, para não causar denúncia individual, e somente aceitará o retorno daqueles que tiverem ficha limpa, mudando o foco de combate. O mundo está de olho nas Filipinas e em sua nova forma de fazer política.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

SOBRE MITOS, MONSTROS E SANTOS

 

O Mito é maior do que o homem que o veste. Ele é carregado pelos braços da fama, impossibilitando ao seu homem dar passos de herói quando necessário. O Mito é uma construção coletiva, cujo motivo de existir é a catalização dos sonhos de outrem, impossibilitados de discernir entre monstros e santos. O Mito toma palavras emprestado, luta contra os moinhos de ventos e semeia tempestades, contradizendo a própria narrativa em nome do título a ser sustentado. A força do Mito bebe de suas derrotas. Coitado do homem que o carrega, deve sofrer em silêncio e chorar em praça pública, nos poucos momentos em que é registrado pelos holofotes reservados ao Mito dominante. O Mito é orientado pelas multidões, questionado sempre que ameaçado pela concorrência, provocado a regurgitar a razão diante da estupidez humana. Ele não sobrevive sem audiência e seguidores. A ele são permitidas as quedas, os tombos, as ofensas e humilhações, os quais se tornam matéria prima de seu levantar gigante. O Mito anda de mãos dadas com o ego do homem que o sustenta, de olhos fixos nas oportunidades de ter função social, com orelhas abertas ao clamor do povo que o criou, com a boca pronta a dar voz a quem não tem. O Mito é um escravo dos poderosos, um laranja, a máscara daqueles que atuam sorrateiramente nos bastidores da macroeconomia. O homem dentro do Mito, jamais poderá ser ele mesmo.


sábado, 7 de janeiro de 2023

ENERGIA DE ALIANÇAS

 

A energia de alianças é uma força disponível para quem a cultiva sob os auspícios da caridade. Com boas intenções, os resultados aparecem. Ela troca manifestações do ego por manifestações do coração, pelo poder das palavras que auxiliam ou confortam e pelo poder das ações desinteressadas. A energia de alianças quando utilizada para potencializar o ego e a imagem própria, atrai pessoas falsas e interesseiras que, mais tarde, podem lhe puxar o tapete e o chão, desviando as manifestações para outros territórios perigosos. Aliança é força de realização e reunião de poderes individuais para um objetivo comum. Aliança é força condutora de rumos ou de abismos, dependendo dos ciclos e processos afins que se aproximam em momentos de descuido pessoal. Ela pode ser invocada em meditação e em oração. Aliança é compromisso consigo mesmo, compartilhado com o mundo.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

ABRIR MÃO

 

Crescer é abrir mão de nossas expectativas e conceitos sobre como as pessoas mais próximas deveriam se relacionar com nossas carências emocionais. Crescer é se dar conta de que não informamos em detalhes o grau de nosso dilema e a intensidade das emoções que o acompanham. De certa maneira, a interação externa é menos real do que a interação com a interpretação de meus conceitos. Quando me desentendo com alguém, duas horas de chuva de estrelas desabam sobre minha cabeça, causando inércia momentânea, ativando meu ponto cego, aquele ponto onde esqueço tudo o que sei e todas as noções de perigo. Eu só cresço fora do apego ao que penso. Só o tempo testemunha minhas dificuldades de abrir mão.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

PREVISÕES ANO 2023

 

Ano lunático, onde as pessoas irão perder a cabeça fazendo o inesperado, o impensável, o inaceitável.

Ano aquático, onde a natureza será a maior notícia, com muitas enchentes, deslizamentos, acidentes nas estradas, restrições de mobilidade e confusão.

Ano performático, onde as autoridades agirão aos extremos pela força do egoísmo, da ambição, do poder e da violência.

Ano pragmático, onde as pessoas terão que se virar rápido para apagar cada foco de incêndio que surgir.

Ano reumático, onde as pessoas sentirão mais dores e problemas nas articulações, ossos e coluna vertebral, músculos e fáscia.

Ano fleumático, onde as pessoas explodirão sua raiva em praça pública e nos lares.

Ano burocrático, onde as pessoas levarão mais tempo para resolver pendências no trabalho, nas repartições públicas, na justiça e nas escolas.

 

Como sobreviver e navegar estas ondas de 2023?

- Mudar de opinião sempre que possível para reajustar suas crenças com a realidade manifesta.

- Mudar de rumo para explorar novas possibilidades menos arriscadas.

- Se você não ver suas crenças refletidas na realidade coletiva, olhe para os motivos internos de mantê-las, e aprenda a modificá-las.

- A energia de 2023 requer saídas estratégicas e decisões rápidas.


CHOQUE DE REALIDADE

 

A bancada evangélica do Congresso Brasileiro abraçou o governo Bolsonaro e utilizou versículos bíblicos e conceitos fundamentalistas para desenhar uma ideologia patriótica de massas. Afastando-se da realidade, mal percebeu as próprias contradições entre amar e odiar o diferente. Com a derrota de Bolsonaro, tanto fervor e orações de joelhos na frente dos quarteis, tomaram um choque de realidade. “Só Deus me tira da Presidência”, “O mito foi escolhido por Deus”, “Conhecereis a verdade e ela vos libertará” foram afirmações amplamente desmentidas pela realidade política de nosso Brasil. Várias orquestrações podem remover sim um político de seu cargo. Ser escolhido e ungido por Deus na política é visão judaico-cristã de quem se apresenta com superioridade sobre os demais. A verdade conhecida e divulgada, também cria narrativas questionáveis sobre libertação. O maior perigo desta abordagem vencida será o abandono de fiéis da igreja, sob novas circunstâncias de perseguição, e o questionamento da própria fé.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

O FIM DE CADA UM

 

Quando a nossa presença ou a nossa ausência tanto faz para os outros, tanto faz para quem tanto fizemos, tanto faz para a pressa e a cegueira das pessoas ao nosso entorno, é sinal de que nunca fomos fundamentais, sinal de que ninguém é importante nas outras vidas senão somente na própria existência. Vem dessa desimportância, a realização de que nascemos sós, vivemos sós e morremos sós. Pessoas são personagens coadjuvantes em nosso aprendizado, nada mais. Pessoas se prestam a participar do cenário, nunca do enredo. Pessoas partem de nossa jornada antes mesmo de entrarem. No final da estória de cada um, abandonamos o corpo como se retira uma vestimenta, abandonamos o espaço físico que outrora alugamos do planeta, abandonamos promessas feitas e sonhos desfeitos e simplesmente... desaparecemos no pó do esquecimento.

 


terça-feira, 3 de janeiro de 2023

O TUDO E O TANTO

 

Nem tudo o que acreditamos, acontece; mas a gente continua acreditando, esperando sem ação ou agindo com esperança, insistindo em receber benefícios, apostando que será o melhor para nós, investindo ou buscando recursos, pagando o preço por nossas escolhas, sem perceber o quanto estamos perdendo ao abrir mãos de outras escolhas. A gente chama as intenções, de projetos, e chama os projetos, de realidade. Buscamos testemunhas e aliados para nosso sucesso, ainda que fracassemos ou demos com os burros n’água. A gente chama dependência, de amor, e chama de amor os desejos para si mesmo. Buscamos experiências de interação e as confundimos com intimidade, onde tudo toma a linha de frente, e nossas crenças continuam movendo moinhos, nos bastidores. É pelas crenças que vivemos e respiramos, até mesmo sem saber o quanto.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

OLHOS ETERNOS, LUGARES DE ABISMAR

 

Depois de longos vazios, preenchidos pela marca do adeus, o casal finalmente se reencontrou no campo santo local. Fechados no túmulo de si mesmos, não houve estardalhaço naquele fatídico dia. Afinal, os ouvidos do morto estavam cansados de tanto ela choramingar por anos a fio. Bem que ela foi preparada com as roupas que escolheu, seu último desejo, as flores eram belas por vinte quatro horas, tempo suficiente para sair do corpo e vagar à procura de seu amor eterno, como costumava declarar em vida. Tinham um encontro marcado na periferia da estrela Dalva, citada em uma de suas canções preferidas. Era um espaço escuro aqui e outro azul místico ali. Fechados no túmulo de si mesmos, com língua e sem palavras, poderiam decompor o passado sob as águas lacrimais dos familiares, quem sabe serem esquecidos na semana seguinte após o passamento. Abertos em si na esfera celestial, um novo departamento dimensional os receberia com vultos felizes e vibrações sutis, enfileirados, todos prontos para prosseguir a grande viagem. Surpresos por não ficarem tão sozinhos na eternidade, o quanto haviam imaginado, deram-se os olhos e sorriram em cumplicidade...mais uma vez.


SE EU ME AMAR

 

É possível se amar de diversas formas e com diversas percepções. Se eu me amar com a percepção do ego, será uma forma limitada de valorizar o corpo e a aparência mais do que aquilo que eu sou. Se eu me amar com a percepção do Self, será uma forma distorcida de valorizar mais a identidade do que eu penso que sou, do que minha essência. Se eu me amar com a percepção do Subconsciente, será uma forma simbólica de chegar e partir, a todo momento, das vidas que de mim se aproximarem. Se eu me amar com a percepção do Inconsciente, será um amor platônico, inalcançável por covardia, impossibilitado pelo medo, imaturo por adolescência. Mas se eu me amar com a percepção da alma, será uma comunhão de propósitos de vida a me carregarem para o imponderável da libertação.