quarta-feira, 22 de abril de 2026

NADA E NINGUÉM (Um curso em milagres)

 

O tempo passou tornando velhas muitas coisas. Mesmo assim tais experiências se perderam em nada, permanecendo no teatro da imaginação, do desejo, da frustração, das falsas promessas, dos desvios e distorções, da teoria ou da ilusão. O Ser que somos continua suspenso no ar, percebendo o que quer, amando apenas o que quer, confundindo-se com o corpo, com a matéria e com o mundo. Somos nosso pior inimigo, o único que nos atinge por dentro e rouba as experiências de paz. Resta-nos retornar ao passado em busca da verdade, do alimento perene, dos presentes que a vida nos deu e não aceitamos. Resta-nos aprender a amar e dar boas vindas ao despertar de consciência.


CONSENSO

 

Há que se criar ilhotas de consenso para agrupar os iguais, oferecendo oportunidades de compartilhamento sem julgamento. Na internet a conexão não conecta, o compartilhamento é julgador e cruel, os conflitos são estimulados pelos aproveitadores, a informação virou desinformação. Se células sociais forem criadas com o objetivo de fortalecimento de ideias de compaixão e inclusão, estas células irão se procriar em bolhas maiores. A proximidade entre pessoas afins traduz-se em apoios e formação de uma rede de criatividade concreta, facilitando a arte escutatória e a realização de projetos para o bem comum. Tudo deve começar pelo treinamento de consenso.


A FÉ DE HOJE (Um curso em milagres)

 

Vivemos num mundo fragmentado e em pleno desmonte de tudo o que construíram antes de nós existirmos. Vão-se os conceitos e valores humanos ladeira abaixo, muitas crenças se desfazem sem questionamentos, vai-se a tradição, surgem novos costumes, alteram-se as estruturas familiares, introduzem-se influências tecnológicas no cotidiano, mecanizam-se os afetos, adulteram-se os alimentos, desumanizando o humano. Um elemento do tecido social não pode deixar de existir, a fé como instrumento garantidor de um futuro melhor, a fé como raiz de firmeza e base nos momentos caóticos, a fé como ponto de apoio durante os vendavais. A fé saiu das instituições e das estruturas milenares, ganhando expressão individual, pessoal, intimista e sem rituais, para dar sentido único de vida a cada pessoa. A fé cresceu em fundamentalismo no coletivo, tornando-se arriscada, mas precisa voltar a ser fundamental a nível individual.


PESSOAS MADURAS

 

Quando uma pessoa fala mal de outra para você, é porque ela encontrou morada em quem não questiona intenções atrás da fala. Quando uma pessoa critica outra pessoa para você, ou está buscando cumplicidade ou está tentando lhe manipular. Quando uma pessoa desabafa com você sobre algum sentimento desagradável em relação a outra pessoa, perdeu o critério de limites e quer transformar você em garoto(a) de recado. Quando uma pessoa entrega de bandeja a cabeça de outra pessoa, ela está esperando que você saboreie com ela ao buscar apoio. Pessoas maduras são transparentes e assertivas. Pessoas maduras não se envolvem nas percepções distorcidas de outras. Pessoas maduras se calam sobre a fala julgadora dos outros, sem dar feedback nem justificar quem está ausente. Pessoas maduras reorientam o julgador a ir falar diretamente com o objeto da reclamação. Pessoas maduras leem nas entrelinhas e se lavam de energias tóxicas alheias.


PARADOXO (Um curso em milagres)

 

O que você vê, nem sempre é o que está diante de si. O que você interpreta do que viu, nem sempre é o que aconteceu. O que você imagina estar ouvindo, nem sempre ouve o que foi falado. O que você pensa em dizer, nem sempre tem tempo ou oportunidade de ser dito. O que você compartilha com alguém, nem sempre chega no receptor almejado. O que o outro espera de você, nem sempre será comunicado. O que você narra como fato, tem sempre um tanto acrescentado da imaginação. Tudo funciona externamente como a dança interna dos átomos, sem necessidade de parar. Nada tem raiz nem motivo, mas tudo se move à procura de algum sentido. A pessoa com quem você está falando não é a pessoa que está lhe ouvindo e vice versa.


OTEMPO NÃO EXISTE (Um curso em milagres)

 

Antes de terminar a frase que falo no momento, ela já se encontra no passado. Não tem como segurá-la no presente, não tem como congelar a percepção de tempo estando no momento presente. O pequeno intervalo entre as palavras serve para perceber ritmo, respiração e a ilusão de que estou construindo algo que vem do futuro. O tempo não existe, mas foi por nós inventado como recurso de fala antes de ser medidor de ato. Não tem como segurar o fluxo de pensamentos nem o fluxo das emoções e sentimentos, ainda que a gente se identifique com a situação mais perceptível num dado momento. Por isso visitamos tanto o passado, na tentativa de segurar algo por mais tempo, no esforço de querer trazer de volta algo sem substância concreta.


NARRATIVA E INSANIDADE (Um curso em milagres)

 

A insanidade nega a si mesma. A narrativa nega a realidade palpável. A insanidade nega a lei e a ordem. A narrativa nega a lucidez. A insanidade nega a escuridão na qual se encontra. A narrativa nega a escuridão que está colhendo em suas consequências. A insanidade nada consegue enxergar. A narrativa só enxerga o que quer ver. A insanidade só conhece o fogo dos pensamentos gerados aleatoriamente e nele se queima. A narrativa só conhece o fogo das vaidades e nele se consome. A insanidade amedronta quem dela se aproxima. A narrativa morre de medo de ser descoberta se parar de negar. A insanidade não quer ser vista. A narrativa busca testemunhas e palco de atuação performática. Narrativa e insanidade são dois vizinhos que não se conhecem de verdade.


MEDO DE AMAR (Um curso em milagres)

 

Diante da confusão mental, cria-se o medo de amar e o amor ao medo. Em estados de confusão, nascem os conflitos internos e externos, pois tornam-se projeções mentais resultantes do pensamento excessivo e desorganizado. O medo de amar impede a clara visão das coisas boas da vida e a conexão emocional saudável. O amor ao medo impede a ação de resolução dos problemas que se apresentarem, bem como dá vida à vulnerabilidade e à fragilidade. Ambos aprofundam a insanidade, comprometendo a comunicação efetiva do que se pensa, do que se sente e do que se quer, comprometendo a percepção de si mesmo como um ser integrado e individualizado diante da grandeza de possibilidades.


segunda-feira, 20 de abril de 2026

MUNDO INTERIOR (Um curso em milagres)

 

Ao entrarmos no mundo interior, deparamos com um amontoado de percepções desorganizadas, percebendo confusão nas dualidades, confundindo sentimentos com pensamentos, trazendo o passado de volta para resolver questões contemporâneas, empoderando a ilusão e o desejo insaciável, gerando medo diante de tudo o que não deu certo, gerando medo diante do desconhecido e de tudo o que iremos encontrar de desagradável em nós. Para mergulhar no mundo interior é necessário que o faça com intenção clara de aprender e progredir. Quem mergulha no mundo interior sem propósito, assusta-se com a realidade imediata e se perde no emaranhado criado e oferecido pelo Ego.


domingo, 19 de abril de 2026

MEDO E AMOR

 

Quando descrevemos uma lista infindável de medos nas pessoas, podemos observar que o medo é uma emoção pessoal e individualizada, construída pela mente de acordo com as experiências de cada um, portanto ela é uma construção descritiva de um estado mental chamado de emocional. Quando descrevemos o amor, encontramos várias definições afins tais como química, paixão, entrega, apego, codependência e lealdade. Percebemos que estamos distantes da verdade desta emoção maior e próximos de um sentimento menor que se baseia em descrição mental. Quando sentimos medo, nada fazemos; ao contrário, nos omitimos. Quando sentimos amor, saímos de nós e abrimos a percepção para um conteúdo divino.


CAOS (Um curso em milagres)

 

Quem não sabe o que fazer, vive momentos de insanidade, distorcendo a realidade como ela é e acreditando ser verdadeira a sua alucinação. Quem acredita em tudo o que pensa, vive estados caóticos de percepção e quem acredita em tudo o que os outros dizem, vive mergulhado em falácias, narrativas falsas e crenças que não podem ser comprovadas. Quem acredita em crenças pasteurizadas e desatualizadas, perde a noção da própria identidade. Quem confia apenas na visão de dois olhos, não poderá enxergar o que estiver na escuridão e pela imaginação será enganado. O Ego vê somente sob a luz do medo e da incerteza, não podendo jamais se aproximar da verdade nem da luz de Deus.


sexta-feira, 17 de abril de 2026

O TRONCO

 

Ao olharmos para um tronco de árvore, notamos que ele esteve ali o tempo todo, tanto na primavera quanto no outono, tanto no florescimento quanto na queda das folhas. Em resumo, quem é forte como o tronco transforma as experiências mais difíceis em frutos e benefícios. O tronco é forte por servir e atender sua função. Quem é forte é o tronco, não são os galhos, folhas e frutos. A semente continha a árvore antes dela nascer, retendo força vital e informação genética. Galhos e folhas apenas seguiram informações. Galhos se quebram sozinhos, folhas caem, frutos maduros caem. O tronco permanece lá, enfrentando as quatro estações do clima. O Ego quer convencer que você é galho e folha somente.


quinta-feira, 16 de abril de 2026

OFERTAS DO EGO (Um curso em milagres)

 

O Ego faz de tudo para lhe convencer que você não tem função no céu, pois lá tudo se move de acordo com a vontade do Pai, nada se cria fora dele, lá você não será ninguém. O Ego lhe oferece o inferno aqui na Terra, onde você tem poder de destruir o que quiser, até a si mesmo, até as pessoas que ama, até o planeta em que vive. O Ego lhe oferece a possibilidade de ser esquecido, ignorado, desprezado pelos outros, pois para ele vida não existe, muito menos eternidade. Ele não lhe permite questionar o que ensina, não lhe autoriza a fazer mudanças de forma independente, não deixa usar valores humanos. Ele tem uma noção estranha de tempo e de céu, ao interpretar cada momento em termos de passado e cada memória como se fosse presente.


quarta-feira, 15 de abril de 2026

AMIZADE DIVINA (Um curso em milagres)


Deus não possui Ego e não precisa de nossos elogios. Deus conta com nossa participação em seu Reino Celestial, por amor desinteressado; não que ele precise de nós, pois a natureza evolui sozinha sem os humanos, mas para sentirmos a graça da completude. A melhor forma de nos comunicar com Ele não é pela oração desesperada nem por diálogos triviais. O louvor ainda é a melhor forma de afirmar que estamos juntos nesta obra inefável e tão querida a Ele, e que estamos presentes e conscientes do que deve ser feito para a unicidade. O louvor é vibração de exaltação nas fibras de nosso Ser. Estejamos todos, atentos, presentes e conscientes.


terça-feira, 14 de abril de 2026

ALTAR (Um curso em milagres)

 

É mais fácil odiar do que amar, pois amar exige compromisso. Quanto menor for o nível de consciência de uma pessoa, maior será seu medo da unicidade, maior será sua resistência em abrir mão das coisas do mundo e do corpo como fonte de realização ou única forma de existir, maior será seu apego ao Self. É mais fácil aceitar a insanidade do que a Deus. Quanto menor for o nível de consciência de uma pessoa, maior será sua insanidade, pois ela se sente isenta de responsabilidade e recebe apoio do Ego que ensina ser ato de grandeza o ataque. Todo homem insano precisa salvar a si mesmo antes de ser resgatado no amor. Todo descrente é insano sem saber, pois endeusou o Ego e posicionou a mente racional acima de tudo.


segunda-feira, 13 de abril de 2026

CULPA E CULPADOS (Um curso em milagres)


O culpado tem visão distorcida de si mesmo, vendo-se feio, pecaminoso, torto, burro, por se ver separado de Deus aos olhos do Ego. O Ego não ouve suas preces pois é surdo, não vê a unicidade no culpado por ser cego e não tem sensibilidade suficiente para perceber que o culpado é filho de Deus. O culpado falha somente ao esquecer o propósito que Deus tem para si. Ao lembrar diariamente deste propósito divino, a culpa se desfaz, o Ego perde força, o amor volta à cena da perda e a consciência desperta onde for preciso. Disciplina gera consistência. Esforçar-se ou comprometer-se a lembrar todos os dias de seu propósito divino, para ser luz, faz toda a diferença. Disciplina gera estrutura e nos dá a certeza de que nosso dia não foi vivido em vão.

domingo, 12 de abril de 2026

A OBSCURA NEGAÇÃO (Um curso em milagres)


Antes de perder o amor que havia, o culpado negou o amor, por si ou pelos outros. Surrar uma criança inocente em nome da educação, ou como vazão de estresse pelo fracasso pessoal, ou como lição de vida para correção de rumos, ou como efeito pernicioso do alcoolismo, ou como expressão extrema de insegurança pessoal, é afastar-se do amor pela negação de que ele existe no mundo, pela negação de que o amor seja mais importante do que a lista citada acima. O mesmo se dá com a violência nos relacionamentos afetivos. O amor só se perde quando lhe é negado o direito de existir. Sem amor e com culpa, o Ego mal vive e mal sobrevive, criando um turbilhão emocional de vazio e infelicidade por se ver somente na linha do tempo. Felizmente, aos olhos de Deus o homem será sempre como sua criação primordial, perfeito e fora da ilusão.


ADÃO (Um curso em milagres)

 

O amor de Deus não mata, seu amor não adoece, seu amor não condena. Quem adoece, condena ou mata é a mente racional dos homens. A crueldade que existe no mundo vem das próprias criaturas, de Caim aos dias de hoje. O homem primordial foi criado na perfeição, até ser tentado por outras criaturas diferentes dele a se rebelarem, tomando a responsabilidade individual por seus atos pelo livre arbítrio. Longe do amor, Adão se afastou de todo o conhecimento divino e empoderou a mente racional. Para não ficar só nesta imensidão de ignorância, construiu em si o Ego para representar alguma forma de poder e desejo e para sobreviver no mundo que agora lhe parece hostil. Todos nós somos este Adão com duas opções nas mãos: voltar para casa como um filho pródigo ou permanecer longe de Deus se achando e se perdendo no mundo.

 


sexta-feira, 10 de abril de 2026

ATAQUES E PERDAS (Um curso em milagres)

 

A culpa acontece diante de ataques e colhe alguma perda do que amou. Como é ruim ter baixa consciência. Como somos enganados pela mente racional e pelo Ego, negamos uma realidade ou um direito dos outros, sustentamos provisoriamente algo insustentável a longo prazo, confundimos amor com posse, erguemos estados de culpa interna e nos excedemos em atitudes errôneas, perdendo a pessoa que um dia amamos. Filhos traumatizados se afastam dos pais, divórcios rasgam a confiança entre pessoas que se amaram, memórias corroem a falta de consciência num dado momento de seu passado. Toda culpa é um estado de guerra interior que só acontece para subir um pequeno degrau na escada da consciência.


quinta-feira, 9 de abril de 2026

ESTADOS DE CULPA (Um curso em milagres)

 

A culpa só existe diante de um ataque, seja moral, religioso, político, educacional ou de injustiça. O que a mente percebe é resultado da percepção maior de separação. Uma vez separados, deixamos de pertencer a um determinado grupo ou a um complexo institucional de entendimento da sociedade, ou seja, culpa é menos sentimento e mais ataque mental. O lado da mente de quem pune, pensa estar escapando de alguma punição ao se posicionar desta maneira. Por isso há tanta lavagem cerebral nas religiões, tantos feminicídios nos relacionamentos desestruturados e tantos traumas na infância. O lado da mente de quem pune está sempre sustentando algum tipo de negação.