Antes de terminar a frase
que falo no momento, ela já se encontra no passado. Não tem como segurá-la no
presente, não tem como congelar a percepção de tempo estando no momento
presente. O pequeno intervalo entre as palavras serve para perceber ritmo,
respiração e a ilusão de que estou construindo algo que vem do futuro. O tempo
não existe, mas foi por nós inventado como recurso de fala antes de ser medidor
de ato. Não tem como segurar o fluxo de pensamentos nem o fluxo das emoções e
sentimentos, ainda que a gente se identifique com a situação mais perceptível
num dado momento. Por isso visitamos tanto o passado, na tentativa de segurar
algo por mais tempo, no esforço de querer trazer de volta algo sem substância
concreta.
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